Alguns comentários sobre o post anterior foram tão pertinentes e consistentes (bem do jeito que eu gosto, adoro quando as pessoas realmente leem os posts e comentam com conteúdo!) que me fizeram querer escrever um post sobre minhas visões a cerca da personagem do texto em questão.
Antes de mais nada, quero bajular a Martha um pouquinho mais, ela é maravilhosa mesmo, para aqueles que ainda não a conhecem muito bem, vale a pena pesquisar um pouco mais, conhecer mais de seus escritos, principalmente as mulheres, todos os seus textos falam diretamente à alma feminina.
Quanto à descoberta, ou redescoberta da personagem, realmente não devemos nos abandonar tanto em prol de outro, concordo plenamente, principalmente porque, quem não se ama, não consegue ser amado por outro, pelo menos assim eu penso, outros podem sentir pena, carinho, vontade de cuidar e proteger, mas não amar verdadeiramente, amar imbute em seu sentido o respeito e a admiração, entre outros sentimentos. No entanto, todos nós também sabemos que, as vezes, alguns amores e dissabores nos consomem tanto, que acabamos por esquecer de nós mesmos. Quem já não viveu, ou ao menos presenciou pessoas vivendo relacionamentos nos quais elas se anulavam completamente para viver pelo outro, por mais absurda que toda a situação fosse para aqueles de fora; quando isso acontece, costumamos até dizer que "o amor é cego", não é mesmo? As vezes, nos deixamos cegar pelo amor, mesmo inconscientemente.
Precisamos de um balde de água fria sobre nossos corações para esfriá-los um pouco, acalmá-los, para que o vapor deixe de cegar nossos olhos e nos permita olhar novamente ao nosso redor, inclusive para nós mesmos. Por mais desgastante que um relacionamento como esses possa ser, ele não deixa de ser confortável, cômodo. Podemos nos considerar modernas e independentes, mas no fundo, mesmo que não admitamos, todas nós mulheres procuramos um relacionamento estável, um companheiro para todas as ocasiões, e muitas vezes, achamos que faz parte de nosso papel de esposa "aguentar" algumas situações menos idealizadas e romantizadas por nossas cabecinhas femininas. Por mais moderna que nossa sociedade tente parecer, ainda espera-se que a mulher seja o porto seguro do casamento, aquela que tem a sabedoria para aguentar as tormentas até que o mar se torne sereno novamente. É comum ouvirmos todo o tipo de frases prontas sem sentido que tentam nos colocar em uma suposta posição de comando no casamento, um comando escondido, secreto, como se o marido nunca pudesse imaginar que na verdade quem manda no relacionamento é você ; lembro de uma dessas frases que diziam por aí " O homem é o cabeça do relacionamento, mas a mulher é o pescoço, ela vira a cabeça para onde quer." Quanta estupidez!
Por que será que em nossa sociedade todo o tipo de relacionamento tem que ter um chefe? Um líder? Um cabeça? Por que não podemos ter posições de igualdade? Igualdade de idéias, opiniões e decisões? Por que em um casamento um dos dois tem que mandar? Marido e mulher não deveriam estar lado a lado, ao invés de um à frente do outro? Esse assunto realmente me desgasta profundamente, além de me irritar ao extremo!
Voltando ao texto da Martha, realmente ele acabou meio que indiretamente, fazendo um bem para ela; pois, ao abandoná-la, permitiu que ela voltasse a se enxergar e a regar seu próprio jardim que andava seco e infrutífero. O relacionamento dos dois estava mesmo fadado a fracassar, se eles não estão em pé de igualdade. Na verdade, ela não se achava tão boa quanto ele, ela decidiu que precisava ser uma mulher melhor para ele, porque no fundo ela sabia o quanto de si própria ela tinha deixado de lado por conta desse suposto amor.
Portanto, amigas, não abandonemos a nós mesmas em prol de ninguém, e quando digo ninguém, incluo até nossos filhos, devemos nos dedicar incondicionamente a eles sim, mas sem esquecermos nunca de nós mesmas. Precisamos nos manter apaixonadas por nós mesmas para que possamos continuar irradiando esse sentimento a todos a nossa volta. Lembre-se que "Se você não se amar, você nunca será capaz de amar ninguém" , quanto mais fazer com que os outros o amem.



















